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AMOR É...

São diversas as facetas que compõem Labelle Rainbow, de 39 anos: mulher travesti, comunicadora, filha, mãe e amiga, além de ativista com tempo considerável de dedicação, principalmente a pautas da população LGBTQIA+.

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Com duas décadas de contribuições na militância de gênero e sexualidade, Labelle atravessa um período de “folga” para encontrar aventuras alternativas em sua vida, incluindo o amor e o afeto.

 

A noção de Labelle do amor, algo que permeia a vida de múltiplas maneiras, conjuga sua percepção do que esse sentimento deve representar na vida de alguém. Amor em uma palavra é entrega, crava ela.

 

“Você sente amor e se entrega. Você acaba se doando, entregando parte de si”.

 

Labelle argumenta que o amor movimenta esferas da vida atingidas pelas relações construídas ao longo do tempo: “Ele movimenta nossa vida economicamente, emocionalmente, mentalmente, enfim... E, para mim, isso é importante, porque é justo que a gente, diante de tudo que fazemos, consiga acessar o amor, o encontro com as pessoas, as relações”.

“Que a vida seja prazerosa, sabe? Que [vivenciar o amor] não seja mais alguma coisa difícil na vida das pessoas LGBTQIA+ para ser enfrentada. Se a gente tem direito à vida, que a gente consiga ter amor e prazer nela”

A comunicadora reforça que amor é fundamental para o ser humano. Causa-lhe estranheza, conta ela, ter certeza disso e, ao mesmo tempo, entender que esse sentimento não é prioridade na vida de uma parcela da população LGBTQIA+.

Tempo de si, para si

Recolocar o amor na parte superior da sua “listinha” de prioridades é a meta mais recente de Labelle. A dedicação ao ativismo tomou conta de seu dia a dia nos últimos anos. Ela exemplifica isso ao citar o curta-metragem “Labelle” (Isabel Nobre, 2016, disponível mais abaixo).

 

No documentário, o roteiro deixa a vida militante da fortalezense de lado para analisar outros âmbitos.

 

“Muita gente cobrou a abordagem da militância no filme. A gente construiu o roteiro com esse entendimento: a Labelle também é outras Labelles. Se esse curta tem a possibilidade de trazer outros elementos da Labelle, que traga”.

 

“Então a gente foi muito mais para as relações, para o afetivo, um pouco da história familiar. E lógico, alguns pontos dessa questão da luta”, explica ela.

 

Labelle gosta de indicar que, quando possível, conversa sobre amor e relacionamentos com as pessoas de sua vida. Solteira desde 2020, após encerrar um relacionamento que durou 15 anos, a ativista transpõe um momento de refletir sobre amor-próprio, algo que renegou por muito tempo, e sobre o que quer ou não para suas relações atuais e futuras.

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A troca por amor-próprio, como Labelle diz no áudio acima, foi um passo necessário para desbravar novos cotidianos, apesar de ter “levado um tempo”.

 

“Só nos últimos 10 anos que reflito sobre isso. Ao mesmo tempo que é um desafio, é uma busca”.

 

O tempo recente dedicado à autorreflexão também é provocado por um momento, sublinha ela, de menor envolvimento com as pautas políticas.

 

“Eu sempre fui de agregar pessoas, mas algumas pessoas precisaram ser tiradas da minha caminhada quando comecei a entender o que é amor e como algumas relações aconteciam”, conta.

“Você vai se enxergando no mundo, se percebendo. Hoje estou mais focada em cuidar de mim, localizar e identificar o que é a Labelle no mundo com ela, processo mais individual que coletivo. Sei que já dei uma boa contribuição coletiva, mas, durante muito tempo, eu também abri mão de mim”

A contribuição coletiva de Labelle, inclusive, veio de encontrar nas outras pessoas um alvo para o amor, por não saber que “tinha direito” a amor-próprio.

 

“Então hoje a busca é por saber de mim, para inclusive no futuro também saber me posicionar nos momentos certos, da forma certa, com a intensidade certa. Quero fazer assim, fazer assado e até mal passado”, conclui.

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O curta-metragem “Labelle”, mencionado acima, foi fruto de curso de audiovisual da Curta o Gênero, ação idealizada pela Fábrica de Imagens, organização não-governamental (ONG) sediada em Fortaleza (CE).


Assista abaixo. Se tiver dificuldades ou quiser salvar para depois, clique aqui para abrir no Vimeo.

Entrevista realizada em 11/04/2023

Texto e imagens Mateus Brisa

Imagens Acervo pessoal de Labelle Rainbow

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